Sem camisinha não dá
Este ano, durante o carnaval, muitas ONG’s reclamaram da falta de cooperação do Ministério Saúde nas campanhas promovidas por elas para o combate as DST (Doenças Sexualmente Transmitidas) e mais fortemente a AIDS. Contudo não é a primeira vez que isso ocorre, no ano anterior algo parecido ocorreu, muitos municípios brasileiros reclamaram da demora e até mesmo da falta de envio de camisinhas, mas os problemas não foram só esses.
Lembro de uma reportagem da TV local, onde denunciavam que tanto a Secretaria Estadual de Saúde, como o Ministério da Saúde não estavam enviando material de divulgação das campanhas de prevenção, não enviavam as camisinhas ou quando enviavam era em numero muito inferior ao que é necessario para suprir a demanda apenas dos postos de saúde, sem contar que até os remédios para o tratamento dos portadores dos vírus da AIDS não estava chegando.
Neste caso a Sec. de Saúde se defendia dizendo que dependia do Ministério para fazer o repasse, o que era de sua alçada era enviado, já o Ministério, por sua vez, se defendia ora alegando que os municípios da região não haviam feito os pedidos em tempo hábil e que estava havendo uma demora por parte dos fornecedores que não tinham estoques suficientes. Contudo, em investigações da imprensa, foi descoberto que na realidade os pedidos não haviam nem sido feitos e que a indústria tinha sim material para entrega, faltou mesmo foi liberação de verbas e gestão competente para providenciar tudo.

Assim, a noticia da Agencia Brasil, reproduzida abaixo, não me espantou de forma alguma:
Brasília - Líderes de organizações da sociedade civil do Rio de Janeiro e da Bahia ligadas à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis reclamam de problemas encontrados para desenvolver ações no carnaval deste ano.
Para Denis Gomes, membro do Conselho Consultivo do Fórum Baiano de ONGs/Aids, o número de preservativos repassado pelo Ministério da Saúde para o estado, cerca de 936 mil, foi insuficiente.
Segundo ele, a maior parte do material foi encaminhada à Secretaria Estadual de Saúde para distribuição aos municípios do estado e apenas cerca de 5 mil camisinhas foram destinadas às organizações não-governamentais, o que limitou o trabalho das entidades, permitindo entregar apenas um preservativo por pessoa nas ações de prevenção durante o carnaval de Salvador.
“Neste carnaval a quantidade de preservativos que o Ministério da Saúde mandou para a gente, para os sete dias de folia, foi muito pouca. Quando a pessoa nos procura temos que distribuir só um preservativo, e ideal seria dar pelo menos dois, porque, no momento do ato sexual, pode romper a camisinha”, disse Gomes.
Ele informou que as ONGs, em parceria com a prefeitura de Salvador e o governo da Bahia, estão realizando várias ações na capital, com distribuição de preservativos, bandanas e folhetos informativos nas estações de transbordo, como as da Lapa, Barroquinha e Campo Grande, e em postos instalados em locais de grande concentração de foliões, como o Pelourinho, Campo Grande e Barra.
No Rio de Janeiro, o coordenador do Fórum de ONGs/Aids do estado, Roberto Pereira, criticou a demora no envio do material informativo e dos preservativos fornecidos pelo Ministério da Saúde, que, aliada à burocracia no processo de repasse entre as várias esferas de governo, acabou dificultando sua retirada pelas organizações não-governementais.
“As instituições mais afastadas do centro, de fora da capital, têm dificuldade de acesso ao material produzido para a campanha do carnaval. Entre o material chegar ao município, ser redistribuído para as unidades que vão fazer a dispensação para as ONGs, há uma grande diferença. Essa distribuição descentralizada, por um lado, favorece, porque o material chega mais perto das organizações; por outro, existe uma demora e acaba ficando muito em cima da hora. O ideal é que tivéssemos um planejamento estratégico para que isso não acontecesse.”
Segundo Pereira, até a última quarta-feira (30), dois dias antes do início do carnaval, 10% das ONGs que participam do fórum ainda tinham dificuldades para retirar o material para ação de prevenção enviado pelo Ministério da Saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, a quantidade de preservativos enviada à Bahia foi a solicitada no plano de necessidades elaborado pelo governo do estado, com a participação inclusive das ONGs. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde também informou que tanto os preservativos quanto o material de divulgação chegaram aos estados antes do carnaval, com a antecedência observada todos os anos. Ressaltou, entretanto, que o ministério não pode responder pela logística de distribuição nas unidades da federação.
É gente, como eu disse no título, sem camisinha não dá e nem é para dar (entenderam o trocadilho infame), todos fazendo campanha para o uso da camisinha, alertando para os problemas de se fazer sexo sem nenhuma proteção e ai o ente publico, responsável por dar saúde ao povo, deixa suas funções de lado. Acho que eles tentaram comprar as camisinhas no cartão de credito, mas como já haviam estourado o limite não conseguiram.
De que adianta tantas campanhas nas ruas, nas rádios, jornais, revistas, televisão e até na blogosfera se nem o objeto mais simples, a camisinha, não está a disposição do povão que caiu na folia do carnaval 2008. Mas isso me fez entender a campanha deste ano do governo para o carnaval, aquela em que uma banda marcial entrega apenas 1 camisinha para o casal em vias de consumar o ato, afinal, tem de ter uma parada, digna daquelas dos americanos, quase se consegue uma simples e barata camisinha.
Tags: Blogs, Canalhices, Jornais, Saúde, Sociedade, Televisão
Por Luiz Filho • 6 Fevereiro, 2008 • Categoria: Expressão
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Há,há,há!
Se faltou camisinha, então prepare-se para um “blackout” do carnaval. Em Nova York, conta a história, quando um “blackout” tomou a cidade por algumas horas, passados nove meses ele refletiu-se… nas maternidades.
Bem, naquela época não tínhamos a AIDS pelo mundo e nem também, tanta facilidade para se frequentas as “fazedoras de anjos”.
Diante da gravidade, só mesmo lembrando algo engraçado.
Grande Sergio,
Aqui nem precisa de nada, como o sinal de TV aberta é ruim, o pessoal vai cedo para a cama, ai já viu hahaaha
Mas o assunto é serio mesmo, tem até um documentário brasileiro muito premiado lá fora (e que por aqui é desconhecido) falando dos “Filhos do Carnaval”, um fenômeno descobertos das maternidades da Bahia, onde 9 meses após o carnaval os nascimentos aumentam a ponto de trazer o caos a rede local.
Vou ver se acho material sobre o assunto e faço um link.